terça-feira, 20 de novembro de 2012

Film, 1959



 Hoje não vamos para Köln. Nem hoje,
amanhã ou dois mil e catorze, meu bem.
A mágoa arranha as vidraças das catedrais,

escondida. Já foram olhos, vitrais e saudade,
 agora - com tantas crianças mortas, palestinas
e irlandesas e decididamente apenas

humanas - cidades apenas, como todas
as outras conurbadas, caminhadas a ferro,
coloridas, bombardeadas e esquecidas.

Cidades nossos olhos vidraças que não coram,
nem riem, nem choram ou menir. Mais um
inútil estudo para o silêncio, o deserto. Ruínas.

4 comentários:

Assis Freitas disse...

The koln concert

Tenho manias de cantar silêncios
Entre queixumes e querências
E muitas tolas inconseqüências

Não era sempre assim, eu sei
Mas algo prendeu-me no visgo
De paragens, portos e navios

E assim fico eu, rimando o vazio
Lendo as inconstâncias de um olhar
ouvindo um mantra de Keith Jarrett

Lisa Alves disse...

Poema forte, menina Nina, daqueles que espelham o tempo de hoje e demonstram a sombra gigantesca dos podres poderes.

Domingos Barroso disse...

os vitrais apesar das cores têm mesmo um olhar melancólico
...


beijo carinhoso.

Wilson Caritta disse...

"A mágoa arranha as vidraças das catedrais"...

Estar acima da "intensidade" arranhar
o céu das consciências adormecidas.

Nina... que lindo! bjo.