segunda-feira, 14 de abril de 2014

a morte do favelado, réquiem

                      - motivo para aidan

os buracos vazios de vez
trinta e uma mil balas para pacificação
esturricam no chão

2.

um dia de manhã sentei naquele chão

tão preto
tão morto

fechei os olhos garrada em seu sangue seco
e pensei em quem seria
quem foi
ele os invisíveis

abri
como uma refugiada de guerra
uma vaca magra na fila do abate

3.

ouço as sirenes indo embora
chegando
como uma marcha de chopin

os pássaros
o que é vivente
estão lá - longe
desse silêncio de mármore

outro carro
mais uma nota na marcha
insinuação de morte

4.

perene os vinte um sabores
picolé pipoca algodão doce tapioca
que os meninos se indo
saberão ainda - ausentes

bombas pás
rastros de névoa
aqui acolá

dissipam na floresta de ossos

1 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Continuam bombardeando Granada, e Federico García Lorca vive em teus versos...