sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O aroma do barro sob a neve


Enquanto cai a neve
ela chora sua cor.

Com nacos de tijolos arrancados da parede
esfrega-os na pele até ser encarnada
como os brancos, horas sob o sol a pino.

Chora, feliz:
quando estancar o sangue não
sobrará essa cor de menino carvoêro

[o professor disse que essa é a pior
forma de energia, e esses meninos
escravos sem dono]

será apenas ela, quase como quase
todas suas bonecas.

2 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Nos bailes da zona norte do Rio de Janeiro da década de 80, não tiravam nunca minha irmã para dançar. Ela parou de ir aos bailes.

Assis Freitas disse...

eu me amarrei no título do poema


cheiro