segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Trópico de Câncer


Um domingo, qualquer dia, pode ser milagroso
durar tanto mais que doze horas - percorrido
na memória, vai de milhões dos anos das almas 
antiquíssimas, e também, segundos apenas.

Deitada na cama ou na cadeira de madeira
recostada, posso ir ao fundo de uma mulher
essa alma antiga e discreta - rotação ao ser.

O telefone toca. Como flocos de neve - risos 
de todas as mulheres oprimidas do mundo, 
ou folhas secas - lágrimas da mais pura alegria,
o milagre é poderosamente cultivado:

Na voz, um pequeno gemido, um suspiro 
profundo, a perpetuação do encontro, 
delicadezas e abismo. E ainda sol a pino:

lembra - nada falta ao nosso desejo.

3 comentários:

Lalo Arias disse...

Que coisa mais das femininas, Ninótchka. Lindo. beijoca.

Lisa Alves disse...

uma escavação

Bruna Wanderley disse...

Lindo e delicado, o poema. Assim como o resto do blog. Gostei muito de descobrir isso aqui!