sábado, 9 de julho de 2016

pequena canção de inocência



é preciso agradecer sempre - todas as manhãs
o humor |   o sabor amargo do bolo, das rosas


é preciso não esquecer nunca - todas as manhãs
o amor |        ainda sob um céu de bouganvilles


[sempre e nunca é muito tempo & ainda]
o rumor |                               tudo é ruína

segunda-feira, 6 de junho de 2016

sem título, em lugar de lágrima



- para tom jones

uma fina delicadeza me cobre
o canto dos olhos
transparência - luz

con demasía y despacito
dime tu voz
esa textura innombrable

y abrázame
y es un poema entero
el llanto más salvaje

agua claridad coyote
'par delicatesse
toi dans 'ma vie

autoria desconhecida

sábado, 28 de maio de 2016

m. disse, 1


disse que não me conhece
disse que o coração é uma ave sem plumas
disse que o poema é uma coisa tão nua
- a se confundir a vida coisa uma e coisa outra
disse que já não podia me ver
disse que tenho uns olhos de louca
- olhos de quem nunca existiu
disse uma palavra exata duas
está morta

sexta-feira, 27 de maio de 2016

sem saber dizer,

 olho a sarjeta mais suja
qualquer um podia saber que não há menina 
nesse chão sem ter sido um rastro de violência

olho a sarjeta mais suja
e sei que não posso voltar a pisá-la
dormir sob dejetos, restos de obras e cimento

a menina pisada é ainda outra e outra
a menina quem poderá dizer se nunca mais sair
da sala de psicopatologia – isto que é

chama, pedra, mãos, iml
é fraco dizer alguém
é fraco dizer animal

é tão fraco dizer os rasgos de toda história

2.
uma sarjeta é o lugar onde se deixar uma menina
uma menina é um ser vivente, um ser vivente é
esse que se atravessa e mata e nunca existiu

não vou mais pisar a sarjeta de quando era uma menina
sob as mãos do pai, do outro e do outro
todo e qualquer desconhecido

um senhor me pergunta se foi um poema que se salvou
como sede de qualquer morada
o claustro, senhor, não pisar qualquer chão

ser encarcerada é um ótimo ataque, lê-se numa vala

3.
a rua lá de casa é um aguaceiro pronto
a pisar, cair, uma abertura pra o fim do mundo
o fim do mundo acontece

cinco vezes por hora a cada onze minutos
é quando um ser vivente se converte em menina na sarjeta
sob as mãos de um, qualquer um ou trinta que é mais que gente

mais que gente não é um monstro
um monstro é mito ou é beleza
não existe beleza quando uma menina está na sarjeta

eu nunca mais vou à sarjeta, mas olha:
está cheia a sarjeta de outras meninas
eu sou ainda outra, uma menina que não pode ser mais


atravessamento- violência-- fim---

sábado, 30 de abril de 2016

selva'jazz

"Viagem à roda do mundo
Numa casquinha de noz:

um olhar me atravessa sem medo
de promessas me atravessa silencia
aprendo de cor um olhar que sabe
não haver amanhã - maybe maybe
um olhar de afeto este é
meu coração le coeur de l'autre

so/ sinto meu coração tocar
na língua e no coração
un couer que cresce
como o olhar poema
em minha mão

I could be/ ... a king of infinite space"

jardim botânico/ rj, 2011

sexta-feira, 4 de março de 2016

Road Movie Num Quarto Fechado

rá! finalmente e enfim! 
lançamento mundial do curta “Road Movie Num Quarto Fechado” na internet. Um filme realizado em 2012, agora liberado na rede - uma rede de entregas!Um road movie a partir da imaginação de uma garota em seu quarto ultrapassa a fronteira entre a ficção e a realidade. Contemporaneidade, existencialismo, sonho, desejo, amor, dor, encontros e desencontros. Uma experiência sensorial através da poética do espaço. Mesmo que os amantes se percam o amor fica.
ROAD MOVIE NUM QUARTO FECHADO (ficção/experimental) - 7´56´´ - Assista agora aqui: https://vimeo.com/130446854


Ficha Técnica:
Direção, Roteiro e Fotografia: Carito Cavalcanti
Montagem e Finalização: Jocasoares Soares
Com: Nathalia Santana, Ivanaldo Setúbal, Jota Mombaça/ Monstra Errátika, Cruor Arte Contemporânea Fernanda Estevão, Josie Pontes, Yasmin Rodrigues Cabral e Délia Diniz)
Narração: Nina Rizzi
Textos/poemas: Carito Cavalcanti, Moacy Cirne, Jota Mombaça e Nina Rizzi
Citações: Milton Santos, David Harvey
Músicas: No Ar Maguinho DaSilva), Randômico (Paolo Paolo Araújo), Ele está andando e o vento Acaricía (Láudanno - Waldenor Junior), A Queda (Os Os Poetas Elétricos), Madrugador (Edu Edu Gomez).
Distribuição: Mudernage Combo
Realização: Praieira Filmes 2012


- Selecionado na mostra competitiva nacional do Festival Goiamum Audiovisual 2012 (Natal-RN)
- Selecionado para a mostra competitiva da SEDA 2013 (Natal - RN)
- Filme-convidado para o Festival de Cinema Guerrilha de Fronteira 2013 (Edição Barra de Camaratuba-PB)
- Exibido no projeto “América Latina no Cinema”, na UFRN (Natal - RN)
- Selecionado para o Festival Urbanocine 2015 (Natal-RN)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

fragmento, 2015



fazer a curva baixa. ‘malu você não parece muito animada e vai comer uma coisa deliciosa’. é muito difícil desfazer as malas e ir morar tão longe. prego os dedos nos dois olhos pra sentir o coração bater a respiração continuar e ouço um ahhhh. do calor do enfado da vontade de correr e fugir e partir. é tão triste mas é verdade mãezinha. ela vai partir e todas constelações continuarão lá no céu até quem sabe talvez depois de uma nova névoa e fim e quem sabe talvez de novo respirar o coração.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

fragmento, 2012

na festa dos pais uma passarela
para desfilar joias, grifes
amarelos risos

- pai, eu preciso ir, pode me ajudar?

uma vitrolinha longe lembra meus fracassos
setenta e quatro quilos, membros quarent'um
a inabilidade para passos firmes

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

geografia dos ossos


estalidos. estrondos. fogo, fogo! - entro agora na casa da poema.
acho que foi aos dezesseis anos que me apaixonei pela primeira vez por portugal. paixão a sério mesmo. de querer escrever algarve com as próprias veias e brigar com vizinhos que fizessem piada alentejana.
bebi vinhos. chorei um tejo. montei e desmontei montanhas de fados.
repeti uma milharada de vezes que só os portugueses sabem sentir bem. que dividimos a alma.
e ainda chistes como se eu não falasse português não sentiria tanta saudade - como do não-tido portugal.
ouvi e ouvi e ouvi um chiado no s. comi esse sotaque que é um lugar.
uma nonada de poemas.
depois me apaixonei de novo. quando vi cá nesse suporte o doudo, o doudo! - o nuno, ó!
um doudo com sonho lindo e real - a poesia, a performance, a música. e eis a arte.
a paixão é um amor é uma paixão e claro traz o seu corpus pulsante - douda correria.
& rá que enfim chego a este lugar carregado de saudades e sonhos
uma paixão me leva a outra e então somos um só atlántico.
junto poemas que só poderiam ter sido escritos para esta douda, ó!
junto poemas inventivos e combatentes o suficiente para garrar o ícone - douda correria
e cá estou em poesia pura - no dia 03 com uma teresa, ó do nome mais lindo
uma teresa e um nuno que também sou eu
que me encarnam e nessa noite são mais eu do que eu.
carregam a minha voz. são eles a voz - geografia dos ossos
e ainda um hélder ventura que é a imagem da minha letra - signo desenho chispa
ele é a minha imagem - hão-de-ver, hão-de-ver! é logo e já.
vintedois poemas em dois blocos de invenção & combate - poema
o que mais? ora, um poema de cada capítulo:
[1.]
domingo, casamento em niterói
meu benzinho desce às escadas pra sala de jantar.
dedos cansados, lhe digo querido não precisa, não precisa.
mas ele vai fazer soar os talheres.

[2.]
notícia de jornal:
os peixes não se adaptaram à barragem
**
aindamais? aindamais? que mais quereria?
ora, um cem-mil-vezes o infinito: gracias douda correria!
***

e pra quem estiver em lisboa, é isto:

geografia dos ossos
nina rizzi 
capa e ilustrações de Hélder Ventura
Douda Correria #35
lido e apresentado por Teresa Coutinho e Nuno Moura 
dia 3 de março às 19h30 
Bar Irreal | Rua do Poço dos Negros, 59/  Lisboa 

[atualizado em 04.03.16] Leia outros poemas e veja vídeos do lançamento aqui!: https://doudacorreriablog.wordpress.com/2016/02/24/geografia-dos-ossos-nina-rizzi/

>> e pra quem não está em Portugal e deseja adquirir o livro é so entrar em contato com o Nuno Moura/ Douda Correria: 
miasoave@sapo.pt
https://www.facebook.com/douda.correria.5?pnref=story


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

vertebral

Roberta Fernandes, teste/ nossa verdade ninguém vê; artseries in progress, 2015.


penso palavras tão puras
palavras tão negras

uma mão escreve o silêncio
outra mão agarra o nada

e uma flor
          e outra flor

um vau de rio na escuridão
um vaso índio e a pura lama

penso palavras tão puras
palavras tão negras

o olho mansidão
claraclaridade

o mar e o cheiro do mar
o barco e o barqueiro

uma respiração do abdome
aos pulmões      ao abdome

penso palavras tão negras
palavras tão puras

no movimento dos dedos
a ligação do céu co’a terra

no movimento dos quadris
a união do vento co’ fogo

na imobilidade
a mais completa ação

penso palavras tão negras
palavras tão puras

nossa verdade ninguém vê
o fogo a textura a série

uma ruazinha
nascada de tinta

um precipício na esquina
arribação do tu&eu

penso palavras tão negras
palavras tão puras

e o poema está inteiro

                        in progress
Roberta Fernandesnossa verdade ninguém vê; artseries in progress, 2016.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

bandeiriana, pensando em ratzel


almofala, almofala
quanto de ti falam.

quem te chamara linda
não me via os olhos d'água

- ria.