Nina Rizzi - cantares poéticos
perfil e poesia, pesquisa e edição de Elfi Kürten Fenske para o Templo Cultural Delfos.
10 autoras f*das que te introduzem à nova poesia brasileira - Elas vêm criando novas possibilidades, tanto para a poesia quanto para nossas noções de feminino. No M de Mulher.
Dez poetas necessários da nova literatura - No Letras in.verso e re.verso.
25 escritoras negras brasileiras que você vai adorar conhecer - No M de Mulher
37 poetas para serem traduzidos no Brasil - Quem são os poetas não lidos no Brasil? E quais aqueles que deveríamos já ter traduzido? Pedimos a Adelaide Ivánova, Ricardo Domeneck, Ricardo Aleixo, Nina Rizzi, Carlito Azevedo e Paulo Henriques Britto para indicarem nomes que eles gostariam de ler em português. A lista é ampla e diversa, mas unida pela necessidade de dar visibilidade a vozes dissonantes. No Suplemento Pernambuco.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
thank you for your love
verteu-se puro ácido meu
bebê, seus olhinhos
tão
pequenos ainda, estilhaçados no berço de ouro
que preparei com as
flores as mais selvagens. mais ternas.
crueldade de um útero, triste útero do mundo que perdeu
todas arcaicas cantigas,
incantáveis. meu pequeno
bebê, desmoronou-se de
mim em sangre.
Nina Rizzi, Girassol morto pra Schiele. Grafite sobre canson,
sábado, 9 de julho de 2016
pequena canção de inocência
é preciso agradecer sempre - todas as manhãs
o humor | o sabor amargo do
bolo, das rosas
é preciso não esquecer nunca - todas as manhãs
o amor | ainda sob um céu
de bouganvilles
[sempre e nunca é muito tempo & ainda]
o rumor | tudo é
ruína
segunda-feira, 6 de junho de 2016
sem título, em lugar de lágrima
- para tom jones
uma fina delicadeza me cobre
o canto dos olhos
o canto dos olhos
transparência - luz
con demasía y despacito
dime tu voz
esa textura innombrable
y abrázame
y es un poema entero
el llanto más salvaje
agua claridad coyote
'par delicatesse
toi dans 'ma vie
![]() |
| autoria desconhecida |
sábado, 28 de maio de 2016
m. disse, 1
disse que não me conhece
disse
que o coração é uma ave sem plumas
disse
que o poema é uma coisa tão nua
-
a se confundir a vida coisa uma e coisa outra
disse
que já não podia me ver
disse
que tenho uns olhos de louca
-
olhos de quem nunca existiu
disse
uma palavra exata duas
está
morta
sexta-feira, 27 de maio de 2016
sem saber dizer,
olho a sarjeta mais suja
qualquer um podia saber que não há menina
nesse chão sem ter sido um rastro de violência
nesse chão sem ter sido um rastro de violência
olho a sarjeta
mais suja
e sei que não posso voltar a pisá-la
dormir sob dejetos, restos de obras e cimento
e sei que não posso voltar a pisá-la
dormir sob dejetos, restos de obras e cimento
a menina
pisada é ainda outra e outra
a menina quem poderá dizer se nunca mais sair
da sala de psicopatologia – isto que é
a menina quem poderá dizer se nunca mais sair
da sala de psicopatologia – isto que é
chama,
pedra, mãos, iml
é fraco dizer alguém
é fraco dizer animal
é fraco dizer alguém
é fraco dizer animal
é tão fraco
dizer os rasgos de toda história
2.
uma sarjeta é o lugar onde se deixar uma menina
uma menina é um ser vivente, um ser vivente é
esse que se atravessa e mata e nunca existiu
uma sarjeta é o lugar onde se deixar uma menina
uma menina é um ser vivente, um ser vivente é
esse que se atravessa e mata e nunca existiu
não vou mais
pisar a sarjeta de quando era uma menina
sob as mãos do pai, do outro e do outro
todo e qualquer desconhecido
sob as mãos do pai, do outro e do outro
todo e qualquer desconhecido
um senhor me
pergunta se foi um poema que se salvou
como sede de qualquer morada
o claustro, senhor, não pisar qualquer chão
como sede de qualquer morada
o claustro, senhor, não pisar qualquer chão
ser
encarcerada é um ótimo ataque, lê-se numa vala
3.
a rua lá de casa é um aguaceiro pronto
a pisar, cair, uma abertura pra o fim do mundo
o fim do mundo acontece
a rua lá de casa é um aguaceiro pronto
a pisar, cair, uma abertura pra o fim do mundo
o fim do mundo acontece
cinco vezes
por hora a cada onze minutos
é quando um ser vivente se converte em menina na sarjeta
sob as mãos de um, qualquer um ou trinta que é mais que gente
é quando um ser vivente se converte em menina na sarjeta
sob as mãos de um, qualquer um ou trinta que é mais que gente
mais que
gente não é um monstro
um monstro é mito ou é beleza
não existe beleza quando uma menina está na sarjeta
um monstro é mito ou é beleza
não existe beleza quando uma menina está na sarjeta
eu nunca
mais vou à sarjeta, mas olha:
está cheia a sarjeta de outras meninas
eu sou ainda outra, uma menina que não pode ser mais
está cheia a sarjeta de outras meninas
eu sou ainda outra, uma menina que não pode ser mais
atravessamento-
violência-- fim---
sábado, 30 de abril de 2016
selva'jazz
"Viagem à roda do mundo
Numa casquinha de noz:
Numa casquinha de noz:
um olhar me atravessa sem medo
de promessas me atravessa silencia
aprendo de cor um olhar que sabe
não haver amanhã - maybe maybe
um olhar de afeto este é
meu coração le coeur de l'autre
so/ sinto meu coração tocar
na língua e no coração
un couer que cresce
como o olhar poema
em minha mão
I could be/ ... a king of infinite space"
| jardim botânico/ rj, 2011 |
sexta-feira, 4 de março de 2016
Road Movie Num Quarto Fechado
rá!
finalmente e enfim!
lançamento mundial do curta “Road Movie Num Quarto
Fechado” na internet. Um filme realizado em 2012, agora liberado na rede - uma
rede de entregas!Um road
movie a partir da imaginação de uma garota em seu quarto ultrapassa a fronteira
entre a ficção e a realidade. Contemporaneidade, existencialismo, sonho,
desejo, amor, dor, encontros e desencontros. Uma experiência sensorial através
da poética do espaço. Mesmo que os amantes se percam o amor fica.
ROAD MOVIE NUM QUARTO FECHADO (ficção/experimental) - 7´56´´ - Assista agora aqui: https://vimeo.com/130446854
Ficha Técnica:
Direção, Roteiro e Fotografia: Carito Cavalcanti
Montagem e Finalização: Jocasoares Soares
Com: Nathalia Santana, Ivanaldo Setúbal, Jota Mombaça/ Monstra Errátika, Cruor Arte Contemporânea Fernanda Estevão, Josie Pontes, Yasmin Rodrigues Cabral e Délia Diniz)
Narração: Nina Rizzi
Textos/poemas: Carito Cavalcanti, Moacy Cirne, Jota Mombaça e Nina Rizzi
Citações: Milton Santos, David Harvey
Músicas: No Ar Maguinho DaSilva), Randômico (Paolo Paolo Araújo), Ele está andando e o vento Acaricía (Láudanno - Waldenor Junior), A Queda (Os Os Poetas Elétricos), Madrugador (Edu Edu Gomez).
Distribuição: Mudernage Combo
Realização: Praieira Filmes 2012
- Selecionado na mostra competitiva nacional do Festival Goiamum Audiovisual 2012 (Natal-RN)
- Selecionado para a mostra competitiva da SEDA 2013 (Natal - RN)
- Filme-convidado para o Festival de Cinema Guerrilha de Fronteira 2013 (Edição Barra de Camaratuba-PB)
- Exibido no projeto “América Latina no Cinema”, na UFRN (Natal - RN)
- Selecionado para o Festival Urbanocine 2015 (Natal-RN)
domingo, 28 de fevereiro de 2016
fragmento, 2015
fazer a curva baixa.
‘malu você não parece muito animada e vai comer uma coisa deliciosa’. é muito
difícil desfazer as malas e ir morar tão longe. prego os dedos nos dois olhos
pra sentir o coração bater a respiração continuar e ouço um ahhhh. do calor do
enfado da vontade de correr e fugir e partir. é tão triste mas é verdade
mãezinha. ela vai partir e todas constelações continuarão lá no céu até quem
sabe talvez depois de uma nova névoa e fim e quem sabe talvez de novo respirar
o coração.
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