sábado, 16 de março de 2013
hipotética anotação no caderno azul de vila-matas:
la abnegacíon del hermano papa es conmovedor
el vecino dice: un ejemplo a seguir.
leí 'entre el amor y el odio, filo de la navaja'
leyó joy christimas "i love my neighbors"
domingo, 10 de março de 2013
contre-chanson pour olivia ruiz
j'ai chocolat
mais sans prince
port
tête
cœur
je ne veux pas whittle
mes hanches
mes hanches
j'ai chocolat
cœur
soulevée
*
eu chocolate
mas sem príncipe
na porta
cabeça
coração
não vou talhar
meus quadris
eu chocolate
coração
aumentado
*
[IMAGEM: frame do vídeo "La femme chocolat", de Olivia Ruiz. Assista aqui.]
sexta-feira, 8 de março de 2013
domingo, casamento em niterói
meu benzinho desce às escadas pra sala de jantar.
dedos cansados, lhe digo querido não precisa, não precisa.
mas ele vai fazer soar os talheres.
*
quarta-feira, 6 de março de 2013
LES MAINS PLEINES, A FORCE DE LES VOIR
dada à recaídas, brechei os vácuos
sem mim, que dizia casa. por um triz
não sucumbo, a alegria de palmyra.
adoro esse risinho cínico, doce, que se me forma
displicente. de maldade mesmo, quando rímini quer dormir
com as feias. de nojo mesmo, quando insinua seu sexo,
fragilíssimo, às setenta irmãs de anna
akhmátova, o que significa dizer a minha, nana ou sofia.
e não há vácuo. hãhã. as mãos cheias, de tanto se verem.
terça-feira, 5 de março de 2013
Parada na Esquina [Desinformação Seletiva]
"Nina Rizzi está parada na esquina. A esquina não fica entre duas ruas. As ruas estão desertas, porque toda a cidade saiu de casa ao mesmo tempo. O tempo corre tão rápido quanto o espaço. O espaço não significa mais nada. Nada é tudo o que o mundo inteiro sabe agora. Agora ninguém tira os olhos da maldade. A maldade é doce e grudenta como melado. O melado escorre dos corpos assolados pelo verão. Um verão inclemente como a verdade. A verdade não passa de uma miragem. A miragem é Nina Rizzi, parada em todas as esquinas."
- IMAGEM E TEXTO: Tuca Zamagna, IN: Desinformação Seletiva
Não seja tantam e breche toda a série "O Grande Desfile de Pin-ups" ;-)
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
dionisis
estava sentada no vaso com o líquido-vital-fumegante numa das mãos.
na outra o tabaco que me proibiram no banheiro.
o telefone tocou.
eu dormia?
era quaresma e todos se comoviam.
eu trepava.
fumava.
bebia.
queria dançar. ficar de quatro pra cheirar a faixa de pedestres
trepar desse jeito que não dão conta, maisemaisemaisemaisemais... pi.
uma caipira a menos, umas letras a mais e.
tudo se torna obsoleto, afinal.
a minha vontade de atender quaisquer telefonemas.
de não ser só dela.
entrementes, continua o sonho.
a ladeira.
as rodadas rendas brancas, tão brancas de tão delicadas.
poéticas. minhas.
é verdade que eu nada posso oferecer, pois perdi
meus braços naquela esquina de rendas amarelas tingidas de tinto vinho.
de mangue. mas
também preciso me sentir segura nesse penhasco tão alto.
ela tem um jeito assim, de me enxergar os olhos.
eu ainda sou movida por poesia. dizia ou pensava. não sei.
o que eu sei é que é quaresma. dá uma vontade danisca
de torar os cornos, incorporar tudo que é entidade, orixá
mas eu ainda não. não.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Chove no país que me lembro
Chove no país que me lembro
vídeo-poema de Nina Rizzi
Letra: Poema só para M. e Yeats, Nina Rizzi
Música: Joca Libânio
Película: "Memória", curta-metragem sobre Tarkovsky e sua casa de infância [extra de "Stalker"], duplamente alongado.
Música Final: "Saudades do Sul", Joca Libânio
Edição e Montagem: Nina Rizzi
Música: Joca Libânio
Película: "Memória", curta-metragem sobre Tarkovsky e sua casa de infância [extra de "Stalker"], duplamente alongado.
Música Final: "Saudades do Sul", Joca Libânio
Edição e Montagem: Nina Rizzi
agoras, 2013.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
A VIDA INTEIRA, ÁVIDA, A ARTE
Carla Diacov
Who says art has to be beautiful?
Look this dreadful hummingbird and
repeat like that:
Who says art has to be humiliation
without wings?
»> Carla Diacov, 'Para Nina
Rizzi, a tia da Revista, mãe!' [aqui!]
a vida inteira:
muitos
são os caminhos. o símbolo manchado de sangue espalhado na parede. as partes do
corpo e diz o poeta que "os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando
que o resto do corpo nascesse (a arte nasceu e ficou esperando que
nascêssemos). e nasce no útero do verso a dialética do desenho, da gravura e da
escultura. as linhas da vida se confluindo num pnemotórax da urgência que te
quero como quero e os pingos vermelhos, a tirania da espera "a vida
inteira que podia ter sido e que não foi", superada pela arte, pelo
reconstruir a arte. reconstruir foi a destreza da artista naquilo já criado, no
drama. de ambos pra nós, por conta dos nossos olhos...
ávida, a arte:
se transgredir é criar, é também o recriare, na inquietação e transgressão nos montamos em poema, pintura, escultura. as causas e os efeitos, as evidências, nós sustentados pelos versos "mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?" e a poesia, a gravura, nos faz dançar na chuva, meu amor! ouvimos o suspiro, a voz da poesia nas paredes, de leve, nos perfurando. nos perfurando essas pobres regras de unidos somente sois até que diabos nos separe, pobres regras não contidas na natureza... doce-amarga mania nossa, isso certo, isso é feio. a natureza, a nossa natureza não! nós existimos pr'além tempo-espaço, nos iluminamos "belo belo quero a alegria de sentir as coisas mais simples"!
se transgredir é criar, é também o recriare, na inquietação e transgressão nos montamos em poema, pintura, escultura. as causas e os efeitos, as evidências, nós sustentados pelos versos "mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?" e a poesia, a gravura, nos faz dançar na chuva, meu amor! ouvimos o suspiro, a voz da poesia nas paredes, de leve, nos perfurando. nos perfurando essas pobres regras de unidos somente sois até que diabos nos separe, pobres regras não contidas na natureza... doce-amarga mania nossa, isso certo, isso é feio. a natureza, a nossa natureza não! nós existimos pr'além tempo-espaço, nos iluminamos "belo belo quero a alegria de sentir as coisas mais simples"!
a
vida inteira:
pedaços
de seda pura embebida de sangue e costurada pelas linhas poéticas em papel
japonês, caixinhas de se guardar coração, voz, tato "um eu todo
encoberto" pra que se o descubra e, artista, recrie; desça o véu e faça o
inédito de mim, de você. de pé, toma seu caminho: me transforma em pigmento,
desenho a nanquim, um universo nosso, de palavra, recriado nos contrários. me
fazendo, em arte tua. tua.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
O aroma do barro sob a neve
Enquanto cai a neve
ela chora sua cor.
Com nacos de tijolos
arrancados da parede
esfrega-os na pele até
ser encarnada
como os brancos, horas
sob o sol a pino.
Chora, feliz:
quando estancar o
sangue não
sobrará essa cor de
menino carvoêro
[o professor disse que
essa é a pior
forma de energia, e
esses meninos
escravos sem dono]
será apenas ela, quase como
quase
todas suas bonecas.
tocatta experimental para pi pá
1º movimento:
deixo meus olhos caírem
sobre o rio seco
e eles se molham
2º movimento:
pleno verão a pino
folhas sob sóis brincam de outono
me derramam ternura
*
*
- Para ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=d79UxGxKHKE
[IMAGEM: Ma Yuan (Chinês, século XIII), 'Walking on Path in Spring'. Ma Yuan é o pintor mais importante da dinastia Song setentrional. Este artista era conhecido por “Ma, o de uma esquina”, porque, em suas pinturas, só chegava a uma esquina da tela, deixando o resto do quadro em branco.]
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
"Passionnément" - 1º exercício de tradução
não não nãonãonão não
nãonnão nnão nem nãonão
o não não o falso não o não
nãonãonão o não
nãonãonão o não o mal
o púrpura o mal não
nãonão não o não o papai
o mal papai o púrpura o não
nãonão não nãonãopassar
passar passar ele passa ele não não
ele passa o não de não de papa [...]
[...] eu eu te amo
eu te amo eu você eu
te amo amo amo eu te amo
apaixonado e amo eu
te amo apaixonado
eu te amo
apaixonadamente amando eu
te amo eu te amo apaixonadamente
eu sou apaixonado eu amo você nasceu
eu você eu te amo apaixonado nascido
eu te amo apaixonado
eu te amo apaixonadamente eu te amo
eu te amo paix apaixonadamente
[Nina Rizzi]
_______________________________
pas pas paspaspas pas
pasppas ppas pás paspas
le pas pas le faux pas le pas
paspaspas le pas
paspaspas le pas le mau
le mauve le mauvais pas
paspas pas le pas le papa
le mauvais papa le mauve le pas
paspas passe paspaspasse
passe passe il passe il pas pas
il passe le pas du pas du pape [...]
[...] je je t’aime
je t’aime je t’ai je
t’aime aime aime je t’aime
passionné é aime je
t’aime passioném
je t’aime
passionnément aimante je
t’aime je t’aime passionnément
je t’ai je t’aime passionné né
je t’aime passionné
je t’aime passionnément je t’aime
je t’aime passio passionnément
IN: LUCA, Ghérasim. Héros-limite, suivi de La chant de la carpe et de Paralipomènes. Paris: Gallimard/ Poche, 2001, pp. 169-179. Disponível também no CD Ghérasim Luca par Ghérasim Luca (Seuil, 2001).
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
E-mail para Fabiano Calixto
Edvard Munch, Vampira (Amor e Dor), 1893-94
rapaz, essa vida dura é pura poesia
nem um grão de arroz, nem um tostão nos bolsos
e meu chefe esbanjando caviar no instagram,
seu (e dos seus) economiquês do EME-AI-TI
na conferência de eternos escolhidos ricos da igreja
protestante. essa onda de reestruturação produtiva,
de conservadorismo travestido de modernidade, saca?
(os cabelos em pé, os pentelhos molhados.)
e como sempre eu aqui falando como falo
e quase esqueço de dizer que esse e-mail é só
pra te dizer: guardei estes dois versos
- meu chuveiro queimou
acho que farei leite com mel
é, eu não bebo leite, mas esse e-mail é só
pra não esquecer que você tem razão,
meu amigo: poesia é coisa de rua, de fodidos
leite quente escorrendo pela garganta como
o tédio das coberturas e essas noites perturbadas.
é, estamos perdidos: - nihil secundi in ulnas nostras.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
depois de um título de pierre reverdy
... não
me atrevo a me mirar,
esta que só não é
silêncio [...]
caída. a casa
vazia, todas as horas
já passaram. as mãos já
não ocupam o lugar do
nada.
anm animais, nem gente
- tua
alegria contra a minha.
[tua: qualquer que
possa existir além-isto]
algo cai em mim,
«Sombra das Minhas Mãos»
como um verso, este
verso «Os Homens Intratáveis».
cada gota confundida
entre o rímel - chuva, oceano, lágrimas -
e é só a natureza, não
poesia. onde gira o horizonte
como um verso, um
título qualquer, não
me atrevo a atrevo me
mirar, esta que só não é
silêncio, no texto.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
O candomblé de Flora
Como ser verdade, representação?
Gania
através o véu – um filho e o peso da
crucificação.
Antes, girou para o
mundo, ayè
ancestral de si.
A mulher enlouquecia
e nunca nada, nunca foi
tão óbvio
Claro, claríssima
despedida.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Vídeo-poema: Zoyka
Zoyka from nina rizzi on Vimeo.
Vídeo-poema de Nina Rizzi
Poemas: Ana Pérola Pacheco
Tradução para o inglês, voz e edição: Nina Rizzi
Tradução para o inglês, voz e edição: Nina Rizzi
Atriz: Maria Camila Londoño
Ator: Juan Jose Romeno
Imagens: Julián Vergara
Música: In your own sweet way, Chet Baker
Ator: Juan Jose Romeno
Imagens: Julián Vergara
Música: In your own sweet way, Chet Baker
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
'VOZES E VISÕES - CADERNO-GOIABADA' E 'LINGUAGEM E PODER'
"[...] A escrita implicava uma situação de atividade para além do “destino natural” da mulher que encontrava escape nos caudalosos diários e nos mosaicos formados pelos cadernos-goiabada, nos dizeres de Lygia Fagundes Telles, que mesclavam receitas de culinária e a impressões sobre o mundo e a vida pessoal, além dos primeiros exercícios literários como a poesia. [...]"
VOZES E VISÕES - CADERNO-GOIABADA: prosa, poesia e ensaio, de Nina Rizzi.
Leia o e-book completo na Germina - Revista de Literatura e Arte!
Leia também o artigo sobre as relações de gênero na linguagem: LINGUAGEM E PODER!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
poesia ilustrada, 2
Desenho de Lavínia Rizzi
a menina e o cocô, o cocô e a menina
hoje eu fiz um cocô tão lindinho,
era bem pequenininho, parecia uma nuvem
caindo do céu. aí quando ele caiu, espirrou
que nem as lágrimas da chuva numa poça d’água.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
PEPERONI NÃO É PROVOLONE OU R.I.P. ONTEM FOI UM PÉSSIMO DIA
Um homem, 2012.
Ah, eu tinha os cabelos tão lindos quando morri
cada fibra dourada cintilava o encontro com as alturas.
Um homem colocava as sete árvores de Heine
à minha porta, deixava algumas moedas como pagamento
para o táxi e acenava seu melhor sorriso amarelo
da cigarrilha: tudo bem se for eu também um enemigo,
há rumores sobre seu nome, a Sheherazade de Korsakóv.
Então, certo nome de origem assíria deixou de significar
'morada' ou um nome hebraico como ‘enviado pelo absoluto’;
caminhar alguém não pôde mais ser a imagem fidedigna
da ternura, senão essa coisa besta, deus do céu, algo como um
verso "a menininha que é batida e pisada e nunca sai da
cozinha".
Foi inventado o verbo desencanto. Mas és fascinante, Teodora.
***
Um experimento Plath, naquele modo de estar retirando de si coisas como num jogo de armar que não armam porque o sentido foi previamente dispensado do lugar usual ou do atalho (uau), através do som que "forma sentido", nem o sentido se forma - nem o som vem sugerir o que está por baixo de detrás das imagens (em seus poemas), invertidas no espelho da mente que pode fazer jogos (claro), mas só até um certo ponto de - como na "liga" de um doce japonês - que se se experimenta com um dedo na boca: "oh, está no ponto" etc... Um experimento Sylvia Plath pessoal demais [como ela sempre foi, aliás - fazendo, em consequência, o Ted Hughes sofrer, mais do que ninguém, com isso, em face das sucessivas ondas dos futuros "plathistas", ou "plathólatras" etc]... até porque no poema -como em quase toda a Plath - ressoa, igualmente, aquela plácida e velada esperança de que as imagens em "código" biográfico possam se dilatar para além do relato íntimo colocado em versos sem a mediação (necessária), do som também formando sentido [para lembrar a - ainda útil - lição de Mallarmé]... (J. Costa Brito)
"Ocorre, hoje, uma impressionante expansão das narrativas no cerne da própria existência. Antes mesmo de existir como evento, a ação já se apresenta como narrativa, como ocorre nos reality show, em que as pessoas, antes de agir, representam ou narram a ação que lhes cabe. Ocorre também na multidão que fala pelos blogs e pelas redes sociais, ou se monitoram pelos celulares, de modo que a ação ou a conversa é sempre exibição/narração da conversa. É como se o mundo inteiro fosse virtualidade narrativa antes de ser existência particular, e principalmente como se todo mundo fosse interessante o bastante para ser visto/lido. Esse é um dos pontos não negligenciáveis que parecem retirar a prioridade ou a exclusividade da narração do narrador literário. É um problema basicamente de inflação simbólica." (Álcir Pécora)
domingo, 25 de novembro de 2012
inverno colorido
guache, ricardo barbosa
o aluno de aline fez uma pintura
abstrata. ele só faz arte abstrata
como uma compulsão. misturou
cores frias à uma quente, nomeou
inverno colorido. com a ternura
nos olhos contemplo a criança
e seu desenho de cinco anos
garrando a imaginar as crianças
do oriente, dos desertos e o que
dizem suas mãos de pintar invernos.
invernos sempre, mas sempre
coloridos.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Film, 1959
Hoje não vamos para
Köln. Nem hoje,
amanhã ou dois mil e
catorze, meu bem.
A mágoa arranha as
vidraças das catedrais,
escondida. Já foram
olhos, vitrais e saudade,
agora - com tantas crianças mortas, palestinas
e irlandesas e
decididamente apenas
humanas - cidades apenas,
como todas
as outras conurbadas, caminhadas
a ferro,
coloridas, bombardeadas
e esquecidas.
Cidades nossos olhos
vidraças que não coram,
nem riem, nem choram ou
menir. Mais um
inútil estudo para o
silêncio, o deserto. Ruínas.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
poesia ilustrada
a menina e o gato, o gato e a menina
se eu fosse um gato
o silêncio habitava
meus gestos
precisos
uma menina olha
corre e acaricia
que importa a metafísica
o ranger dos dentes
se eu durmo o dia inteiro
não é preguiça
lá fora faz chuva
arde a lua
a menina quer
passear
não pode gostar
de estar só
porque não conhece
o lugar do mapa
mas gato tem que levantar
lamber o leite derramado
[ilustração de lavínia rizzi, cinco anos, especialmente para este poema que ajudou a conceber]
domingo, 4 de novembro de 2012
goiabada-nicotina
pussykill
aquele que não me
menciona
homenzinho dos idos
sonhos
carnais
- pança, to sem grana, pára com isso
tão engraçadinho
o via sob a maresia,
debaixo
das ondas, atrás do
copo de cerveja
- chama aquela sua
amiga. eu dou o pó, vocês boca, mãos e cu
gostava de me
desaparecer até que ligasse
desaparecia eu, ele
ele o fazia e eu
imaginava
suas festas e aventuras
como quando
agonizava seus risinhos
enquanto fazia sexo
morno com as moças
estranhíssimas tão
mínimas, pelo computador
e lhes repetia minhas
delicadezas e me devolvia
seu enfado e
frustrações.
o cria.
até que ele me disse
- você devia fazer
exercícios para deixar de fumar.
como saída da caverna,
um disparo:
e você, homenzinho,
exercícios de expandir o cérebro.
aquele que não me
menciona
foice, cinzas, au
revoir.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
VÍDEO-POEMA - SÃO SARUÊ: OFERENDA
SÃO SARUÊ: OFERENDA
VÍDEO-POEMA DE NINA RIZZI
Poema: São Saruê, Climério Ferreira
Voz: Nina Rizzi
Película 1: Colagem de Kiki de Montparnasse em
filmes de Man Ray e Fernand Léger
Pelicula 2: Le Retour à la Raison, Man Ray
Música: Oferenda, Clodô, Climério & Clésio
Edição, Montagem e Realização: Nina Rizzi
Mais em: ninaarizzi.blogspot.com
agoras, 2012.
*
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Vídeo-poema: O amor acaba
Texto: Paulo Mendes Campos
Performance: IKIRU - Réquiem para Pina Bausch, Tadashi Endo
Voz e Edição: Nina Rizzi
*
Se preferir, assista no Vimeo!: https://vimeo.com/67433040
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Niétotchka, Ekaterina [vídeo-poema]
Niétotchka, Ekaterina
Vídeo-poema de Nina Rizzi
Vídeo-poema de Nina Rizzi
Direção, Montagem de imagens e Realização:
Alberto Rosende Balazs
Alberto Rosende Balazs
Texto, Roteiro e Edição: Nina Rizzi
Atriz: Ainhoa Hernandez
Ator: Gerardo Llagüens
Ator: Gerardo Llagüens
Música: Trilhos no Porto, Joca Libânio
Produção: Luis Illán
Ajudante de produção: Clara Compairé
Ajudante de produção: Clara Compairé
agoras, 2012
*
*
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Trópico de Câncer
Um domingo, qualquer dia, pode ser milagroso
durar tanto mais que doze horas -
percorrido
na memória, vai de milhões dos anos
das almas
antiquíssimas, e também, segundos
apenas.
Deitada na cama ou na cadeira de
madeira
recostada, posso ir ao fundo de uma
mulher
essa alma antiga e discreta -
rotação ao ser.
O telefone toca. Como flocos de
neve - risos
de todas as mulheres
oprimidas do mundo,
ou folhas secas - lágrimas da mais
pura alegria,
o milagre é poderosamente
cultivado:
Na voz, um pequeno gemido, um
suspiro
profundo, a perpetuação do
encontro,
delicadezas e abismo. E ainda sol a
pino:
lembra
- nada falta ao nosso desejo.
sábado, 22 de setembro de 2012
Balada pra Lavínia não chorar [vídeo-poema]
Vídeo-poema de Nina Rizzi
Película: Anabelle Whitford in Serpentine Dance;
Thomas Edson, 1894
Fotografia: Lavínia Rizzi
Poema, voz e edição: Nina Rizzi
*
Curiosidade: "The Serpentine Dance", é uma revolução no audiovisual. Em um período em que a película PB era comum, a cor (pintada à mão) evidencia o artístico. Foi um dos primeiros filmes a unir a magia do cinema com a dança, onde o movimento com a longa seda assemelha-se com o movimento de asa de um pássaro. A câmera, marcando a característica do inicio do cinema, mantêm-se parada, dando mais atenção ao plano geral. O áudio não é o original, tem-se neste período a presença instrumentos musicais nos cinemas. Em 1899, os Irmãos Lumière também filmaram um vídeo com o mesmo título, a dança é interpretada pela atriz Loie Fuller, que criou a dança e foi pintada por Toulouse-Lautrec, em 1892.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Elizabeth [vídeo-poema]
Elizabeth
Vídeo-poema de Nina Rizzi
Música: La tête dans les nuages, Yann Tiersen
Mounsier Gainsbourg revisited: Je t'aime mon non plus, Cat Power & Karen Elson
Imagens: Deux filles emportées par le vent/ França
Texto: Romance, variegação, Nina Rizzi
*
*
terça-feira, 18 de setembro de 2012
counter-song for diamond
yes, I take your hand
can you make me feel well?
I give you my hands,
my hands are yours.
I want to invade.
allow yourself.
that come with being female
and now I need a woman
ah, I love you, woman.
*
Neil Diamond - Girl, You'll Be A Woman Soon, 1967.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
contrafotografia para bete
os pêlos de bete têm a cor
dos não-pêlos de seu companheiro.
em seu mapa se confundem
a gana dos meus dentes, a minúcia de sua lente.
alcova de achados e perdidos,
rebeldes, bete.
*
domingo, 9 de setembro de 2012
tambores pra n'zinga em ensaio de katyuscia carvalho
chaos
de onde vim – belezas
e destroços, suam intensamente
tudo existe, dorme. até
que doa o útero, em desfio
gozam a doer profundamente, verdade
no rasgar das manhãs.
outro estudo pra o silêncio
a perene lembrança do teu nome deságua, diáfana
nas nascentes do meu rio mais comprido.
ceciliana
escorre o óleo do mundo - lima
de rícino, refino
mínima grama ou toda
canteiro, fecundo
a poesia é de quem
precisa, disse o carteiro
lhe ria. além a lama
ternas de exílio e poda
te revisito, o mundo - olha
entre as pernas.
manoelana
transbordam em mim reminiscências:
águas que me secam, redundâncias de me sentir.
se o ocaso está repleto de ciscos, reticências,
serei eu mais que o completo vazio?
(guardo meus olhos na sarjeta mais distante e suja)
composição em azul pra d. mocinha
ela não terá a nudez das camélias,
os pés descalços dos filhos de ancestrais tribos.
um pelo encravado bastava pra lhe sentir a carne,
um cheiro diferente na voz, os rios vermelhos.
uma terceira canção, srta. dunn, do alto das nuvens,
e já não estamos sós. enquanto me arde teu inverno,
brinco de alimentar os gatinhos e os cactos que murcharam.
descalça
não é a terra:
andam estrangeiros
meus pés
bachiana em dois movimentos pra villa-lobos
já volto, vou me inexistir.
no peito, aquela coisa de moer cana.
*
Baixe e leia o livro completo aqui!
sábado, 14 de julho de 2012
Duas traduções inéditas de Manuel Bandeira
“Chambre vide” (Quarto vazio) e “Bonheur lyrique” (Felicidade Lírica) foram escritos em francês por Manuel Bandeira e publicados no livro “Libertinagem”, em 1930, sem haver uma correspondente versão em português, como é o caso de outros poemas que o autor fez nos dois idiomas: “Nuit morte” (Noite morta), “Fleurs Famées” (Flores murchas) e “Évocation de Recife” (Evocação ao Recife).
Leia as traduções na Revista Bula!
quarta-feira, 4 de julho de 2012
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