E-book de Nina Rizzi. Lá na Germina Revista de Literatura e Arte ;-)
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Dia 14 de agosto, domingo no ESPAÇO LITERÁRIO
Noite
19:00 às 20:00
Bate papo sobre: Poesia Feminina com Nina Rizzi, Regiane de Paiva e com a presença da AFLAM
Bate papo sobre: Poesia Feminina com Nina Rizzi, Regiane de Paiva e com a presença da AFLAM
Bate papo sobre: Poesia Feminina com Nina Rizzi e Regiane de Paiva. Com a presença da AFLAM - Academia Mossoroense de Letras e as Meninas da Poema.
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Abaixo publicação do jornalista Talis Andrade, em seu blogue O Jornaleiro:
Que Mossoró faça festa para receber Nina Rizzi.
Fui para me encontrar com uma menina linda, e namorar a cidade.
Fui com Jorge Amado. Noutra viagem de carro, me deliciando com as histórias deste romancista que inventou mulheres que o Brasil ama: Dona Flor, Tereza Batista e Gabriela.
Que bela oportunidade para conhecer Nina pessoalmente. Ver Nina. Ouvir Nina.
*domingo, 7 de agosto de 2011
das antiguidades não-obsoletas
Nina Rizzi, Aonde andam a caminhar meus olhos: Alto da Sé, Olinda/ Pe. 2006.
PASÁRGADA PERDIDA
Cismo que em algum lugar -
Nada se parece mais com um paraíso -
Existe uma Pasárgada perdida
Dando Bandeira pra mim.
(Dedicado a Nina Rizzi)
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invocação ao recife
nina rizzi
belo belo
pernambucolismo
quero quero
história cultura cais
arte de amar corpoema
oh linda cidade
sempre uma boa viagem
Recife/ Olinda/ Paulista, PE - Maio/ 2006
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Se você tem um chefe invejoso, sádico e egoísta; uma esposa (o) ciumenta (o); vive sob uma ditadura; tem uma doença que o impeça de viajar; ou é acomodado mesmo e, portanto, anda a se privar da felicidade, meu amor, aí vai uma pequena lista de pretextos:
1- Faça mil ligações por dia pra sua Pasárgada por pelo menos uma semana. Suborne a operadora de telefonia. Mostre a fatura a quem te impede e solfeje:
1- Faça mil ligações por dia pra sua Pasárgada por pelo menos uma semana. Suborne a operadora de telefonia. Mostre a fatura a quem te impede e solfeje:
- lá "Tem telefone automático";
2- Diga, aos prantos, à esposa/ marido:
- ai, amor, calma, claro que eu te amo, mas preciso resgatar a minha infância2- Diga, aos prantos, à esposa/ marido:
"E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!";
3- Lave o rosto, penteie os cabelos (se não tiver, coloque um chapéu de palha). Passe rouge cor-de-rosa na ponta do nariz e nas bochechas, isso vai te dar um aspecto corado e saudável. Faça o máximo esforço pra não arfar e diga, sorrindo, ao seu médico:
- acredito que seja psicossomático, veja como melhoro só de pensar... e eu prefiro passar o fim dos meus dias gargalhando, lá
"Tem alcalóide a vontade [...]Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive";
4- Ofereça ao funcionário do governo uma passagem; pegue-o pelos colarinhos e esbraveje com um olhar louco:
"Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção";
5- Olhe no espelho, veja o ser amado (a), e diga a si mesmo (a):
- é eu posso até não nos aguentar tanto amor, tanta paixão, mas
"Quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias";
meia, uma verdade inteira- olha bem nos olhos de cada um. ria. grite. pule. gargalhe. role no chão. lamba os cachorros e os gatos. lambuze o rosto de manga. arranque os cabelos e chore:
Mas triste de não ter jeito"
como agora, esse desejo, ou naquelas noites em que me dá
"Vontade de me matar"...
neguinho, bixinha, aperta o botão do foda-se eu quero mais é ser feliz, arranque as vestes e as ateie fogo e vai, vai cantando:
"- Lá sou amigo do rei-Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada"
Vem também!
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sábado, 6 de agosto de 2011
mais um vídeopoema experimental
o polietileno demora milhões de anos pra se decompor; para os humanos de plástico basta um clique: apagar contato.
tenho os lábios sangrados. uma amiga que conta como me quer em suas peripécias sexuais com uma garota, duas, três, quatro ou cinco caras. um amigo que quer fazer sexo comigo e com outra e outras, ao mesmo tempo. tenho um homem que acha que é meu companheiro, que por isso me quer como num filme sérvio. útero, ovários, orifícios vários além do verso. tenho uma lembrança asquerosa, cheiro de sexo junto aos pelos no ralo do banheiro. ganhei poemas cheios de dedos, um afago antes do tapa. quem disse que o sexo é libertação? a poesia, sim, as pessoas que a fizeram segundo o chamamento de mim. mas eu não sou meu duplo.
[elogio ao corpo, nina rizzi]
terça-feira, 2 de agosto de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
one box of fifty pounds
Nina Rizzi, Autorretrato, 2005.
lembro do início. eu te achava e te ria e te queria e te comia. você me gostava por causa dos versos: vinde a mim os casados e eu vos aliviarei. então a paixão entornou. me assustei. te ver me rasgou o supercílio, contraiu o ílio. depois ficamos anos nos olhando à distância. um, dois, era a eternidade. então arranjei um jeito surreal de nos juntar sem levantar suspeitas. e te abandonei pra chorar no meio fio. e te encontrei pra chorar minhas inseguranças e vilanias. e te amei e me enrosquei. então parecia que a gente ia se fundir feito cola, eu me solidificava dentro de suas estruturas. mas você só lembrava aqueles primeiros versos, que ironia, diante de tantas orações profanas que fiz com teu nome. então você olhou pra trás, quinze anos e a mesma mulher. quinze anos de cumplicidade diante de nossos encontros que juntados não davam um só dia. e como eu me rastejasse tanto, você acreditou que eu era borboleta, voava alto e morria depois de um dia. você gostava dessa morte, porque abjeta borboletas. e mesmo que você me tenha matado, não te abnego, lembro outros versos: uma caixa de glórias, adeus.
ninar.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
"please put down your hands 'cause I see you"
Nina Rizzi, Fotografia sobre Pop Art do IVAM - Instituto Valenciano de Arte Moderna/ Espanha, 2009.
e como doesse o esquecimento e a inércia, caminho até à praia, que o frio cortante é tão raro como sua imagem de boneca russa, acrobata de filmes antigos, um vermelho vintage.
que seria um desperdício deixar o dia passar assim, depois da noite passada, dos lábios macios e das mãos por dentro da calcinha de florezinhas ou ursinhos ou qualquer dessas coisas delicadas.
então um maço de balões voava pela avenida e eu podia morrer correndo assim atrás de balões. mas todos os carros param pra uma moça passar com seus cabelos e euforia infantil e um homem lhe entrega o bouquet de balões e eu fico pensando nela, se já terá ido à paris, ela que é mais francesa que a menina que eu beijei num campo em construção como prêmio pelo cuspe à distância.
combina com ela, o chão que nunca vi, as pedras no calçamento como àquelas de copacabana ou de camboriú. o calçamento repleto de murta, os jardins repletos de cheiros que não de morte. e a menina que me acena no poema que recorda: quartier latin, rhümi e japamala.
era um convite à vida, a moça que afasta o caderno, levanta os óculos e diz: o play, tem velvet underground na vitrola. vitrola, sim. e máquina de escrever e uma franja lisa e um falso corpo magro como gostava alberto vargas e eu sublimo.
desço à praia com os balões e essa angústia tão própria de mulher e esses desejos escondidos tão próprios de ser e essa paisagem de cinema. quando a noite cai.
passo os dedos pelas pontas do cabelo e é áspero, como uma resignação profunda, um constatar quase-patético: viver a música, viver o cinema, viver o poema. quando o corpo suspende.
*
sábado, 18 de junho de 2011
experimentos que não podem ser coligidos
Nina Rizzi, Girassol morto pra Schiele. Grafite sobre canson, 2011.
soavam os destroços de zabumbas. bandeiras, catraias, trapiches.
o tanto desfalar. distância mais emocional que física, cornos, cavalos.
um coice, um ruminar.
isso, só isso. um ir, um vir, se deixar.
uma puta, uma cadela.
(égua não que combina. eu era a estrelinha do papai)
o que eu gosto, o que eu não gosto
a amarelinha, a fêmea, o nasgo, a fumaça.
um ramo de flores, girassóis secos pra schiele, lexandrina e araim.
maquiagem borrada, a noiva de vermelho.
um pouco de preto, um pouco de ranhura, um pouco de tudo.
um pouco de mim, um muito. um pouco de possível, senão, senão.
(há o tempo de comer, há o tempo de tudo, do apodreser)
tango e desamor, extratos, descaminhos.
[l'amour, carmen, 05:02. zambê, nina rizzi]
*
[Para ler ouvindo: Rufo Herrera e Orquestra Ouro Preto, 'Meridiano III]
"o que você pensa que vai fazer?"
soavam os destroços de zabumbas. bandeiras, catraias, trapiches.
o tanto desfalar. distância mais emocional que física, cornos, cavalos.
um coice, um ruminar.
isso, só isso. um ir, um vir, se deixar.
uma puta, uma cadela.
(égua não que combina. eu era a estrelinha do papai)
o que eu gosto, o que eu não gosto
a amarelinha, a fêmea, o nasgo, a fumaça.
um ramo de flores, girassóis secos pra schiele, lexandrina e araim.
maquiagem borrada, a noiva de vermelho.
um pouco de preto, um pouco de ranhura, um pouco de tudo.
um pouco de mim, um muito. um pouco de possível, senão, senão.
(há o tempo de comer, há o tempo de tudo, do apodreser)
tango e desamor, extratos, descaminhos.
[l'amour, carmen, 05:02. zambê, nina rizzi]
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