quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

dionisis


estava sentada no vaso com o líquido-vital-fumegante numa das mãos.
na outra o tabaco que me proibiram no banheiro.

o telefone tocou.
eu dormia?
era quaresma e todos se comoviam.
eu trepava.
fumava.
bebia.
queria dançar. ficar de quatro pra cheirar a faixa de pedestres
trepar desse jeito que não dão conta, maisemaisemaisemaisemais... pi.

uma caipira a menos, umas letras a mais e.
tudo se torna obsoleto, afinal.

a minha vontade de atender quaisquer telefonemas.
de não ser só dela.
entrementes, continua o sonho.
a ladeira.
as rodadas rendas brancas, tão brancas de tão delicadas.
poéticas. minhas.

é verdade que eu nada posso oferecer, pois perdi
meus braços naquela esquina de rendas amarelas tingidas de tinto vinho.
de mangue. mas

também preciso me sentir segura nesse penhasco tão alto.

ela tem um jeito assim, de me enxergar os olhos.
eu ainda sou movida por poesia. dizia ou pensava. não sei.

o que eu sei é que é quaresma. dá uma vontade danisca
de torar os cornos, incorporar tudo que é entidade, orixá

mas eu ainda não. não.

1 comentários:

Lisa Alves disse...

Maravilha de poesia.
que os sonhos
se tornem concreto
mas que não se endureçam
na realidade.